Vinho novo em odres novos!

Jesus tem uma maneira própria de evangelizar, uma verdadeira "pedagogia divina".
Havia práticas religiosas boas e louváveis em seu tempo, como o jejum, por exemplo; mas Ele ainda não pedia isto a seus discípulos.
Na pedagogia de Jesus tudo tem seu tempo, sua "hora"; Ele espera o momento certo das coisas e sabe respeitar o caminho de cada um, seu itinerário pessoal, sua história, seu ritmo próprio de caminhar.
Jesus queria que seus discípulos primeiramente O conhecessem, convivessem com Ele, fizessem a experiência de um encontro íntimo com Ele para somente então viverem as práticas religiosas.
O cristianismo não é uma religião de práticas religiosas, ainda que boas e piedosas, não é um código ético ou moral a ser seguido. O cristianismo é a religião do encontro pessoal e íntimo com Alguém, a religião da experiência com a Pessoa Viva do Ressuscitado.
Somente a partir deste encontro, desta convivência com Cristo, poderemos viver conscientemente e de maneira correta nossas práticas religiosas.
Às vezes nós queremos que as pessoas que encontramos em nossas comunidades, em nossa pastoral, se tornem cristãos católicos fervorosos e praticantes da noite para o dia. Queremos que passem a ir à missa todo domingo, que passem a rezar o terço todos os dias, que passem a frequentar a paróquia, a participar dos grupos e pastorais, a fazer adoração ao Santíssimo e participar dos grupos de oração, etc.
Tudo isto é muitíssimo bom e necessário. Mas existe um verdadeiro risco de praticar tudo isto sem sermos verdadeiramente cristãos, ou seja, sem viver um verdadeiro encontro com Cristo, somente de maneira externa, como um simples cumprimento de deveres religiosos.
É necessário ter paciência com o caminhar dos outros. Senão iremos colocar remendo novo em tecido velho e ele irá rasgar. Se não houver um verdadeiro espírito de conversão e de encontro com Jesus, se não nos tornarmos novas criaturas, tecido novo, vinho novo, não iremos resistir por muito tempo em nossas práticas religiosas.
Muitas vezes é necessário primeiramente sanar a humanidade das pessoas, fazê-las encontrar sua dignidade humana, fazê-las sair de situações de sofrimento e misérias, tanto morais quanto espirituais ou materiais e somente então a pessoa começará a dar os primeiros passos em direção a Cristo, começará a participar ativamente da vida da Igreja e a viver o Evangelho.
O vinho novo do Evangelho de Cristo deve ser derramado nos odres novos de uma humanidade sanada, no coração de homens e mulheres que fazem a experiência de fé do encontro Com o Esposo, para que possam depois caminhar com os próprios pés para procurar o Esposo nos sacramentos e nas práticas religiosas da vida cristã.
Antes de exigirmos "práticas" proporcionemos um encontro e um conhecimento profundo de Jesus e de seu Evangelho. Ajudemos as pessoas a abrirem os olhos e a verem a presença de Cristo e de Seu Evangelho em suas vidas.
Somente então elas começarão a praticar livremente e de maneira consciente as exigências práticas da vida cristã.
Vinho novo em odres novos!
Segunda-feira da 2ª semana do Tempo Comum — Ano A
Leituras: 1Sm 15,16-23; Mc 2, 18-22.
"VIVER É CRISTO"
Ir. Bonifácio OSB
