Tendo amado os seus, amou-os até o fim

O Evangelho que abre as celebrações do Tríduo Pascal começa com esta afirmação que dá todo o sentido do que celebramos nestes dias: "Amou-nos até o fim". Sim, a Páscoa é a festa do Amor de Deus por nós. Tudo o que celebramos nestes dias manifesta o grande amor com o qual somos amados por Deus. Que seria de nós sem a certeza de que somos infinitamente amados por Deus? Que esperança e sentido teriam nossas vidas sem a certeza de que Ele nos amou até o fim? Não há pecador, por maior que seja, que, olhando para a Cruz, não seja revestido interiormente de ânimo e esperança. Sim, todo gesto e intenção honestos de arrependimento dos pecados, ainda que mínimo e imperfeito, ainda que feito no último instante da morte, basta para que Deus livre alguém da condenação eterna, pois o Sangue de Cristo grita em nosso favor.

Hoje, na celebração da Ceia do Senhor, o Amor de Deus se manifesta de três formas: na Eucaristia, no Sacerdócio e no Lava-pés. A Eucaristia é o próprio sacrifício da Cruz realizado em forma ritual, sacramental. Aquilo que Jesus sofreria historicamente no dia seguinte ao da Ceia, Ele já realiza verdadeiramente durante a Ceia Pascal. Sim, a sexta-feira santa já se realiza na quinta-feira! O sofrimento e a morte da Cruz do Senhor já acontece na Ceia Pascal. Deus antecede o gesto supremo de amor do dom de Sua vida. Ele parece ter pressa em realizar este sacrifício, em nos amar, em nos libertar: "desejei ardentemente comer convosco esta Páscoa"(Lc 22, 15). Quem ama tem pressa em amar!

Graças ao milagre da Eucaristia, instituído por Cristo, o evento histórico da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor permanece intacto e atravessa os séculos, tornando-se presente cada vez que uma missa é celebrada. Na Eucaristia, este amor com que Deus me amou eterniza-se no tempo, e como a cada instante há uma missa sendo celebrada no mundo, sabemos que a cada instante Deus está realizando por cada um de nós o mesmo gesto de amor que Ele realizou naquela sexta-feira santa há mais de dois mil anos.

Para que este milagre do amor de Deus se realize perpetuamente, Jesus instituiu o Sacerdócio ministerial como um serviço do Seu Amor prestado a toda humanidade. O dom do Sacerdócio é o Amor do Coração de Jesus que realiza, através de homens pobres e miseráveis, o ato supremo do dom de Sua vida. Por isto que o sacerdote é chamado a ser sinal visível do Amor do Senhor. E não somente o sacerdote mas cada cristão também é chamado a ser manifestação e instrumento do Amor de Jesus através do serviço humilde prestado uns aos outros. Por isso que o Senhor, ao instituir a Eucaristia, realiza o gesto do Lava-pés, para nos dar o exemplo de dom e serviço.

Tendo sido amados de tal maneira por Deus, somos chamados a corresponder a este amor, sobretudo através do dom de nossas vidas. Que este Amor de Deus, manifestado e celebrado nestes dias, seja para nós a renovação de nossa fé, de nossa esperança e de nossa alegria, e aumente em nós o amor a Cristo, única coisa que pode dar sentido a nossas vidas.

Quinta-feira Santa - Ano A

Leituras: Êx 12,1-8.11-14; 1Cor 11,23-26; Jo 13, 1-15.

"VIVER É CRISTO"

Ir. Bonifácio OSB

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