O Sacramento do Matrimônio é remédio de salvação.

A palavra matrimônio origina se do latim mater (mãe) + monium (condição, obrigação, função social), assim matrimonium significa originalmente "condição da mãe ou estado de ser mãe".
Para os romanos, união legitima com a finalidade de gerar filhos reconhecidos legalmente, dando à mulher o status social de mãe dentro da família romana.
No mesmo contexto juridico social romano antigo, podemos analisar a etimologia da palavra patrimônio do latim patrimonium que é a junção das palavras pater (pai) + monium (condição, dever, responsabilidade) que dá um sentido original aquilo que vem do pai ou herança paterna.
E por fim a palavra casamentum com o significado de ligado a casa (domus), formação de uma nova casa ou união doméstica.
Para a sociedade romana antiga, juridicamente, assim se baseava a estrutura familiar.
Matrimônio – mãe – filiação legitima – família.
Patrimônio – pai – herança – bens.
Casamento – casa – vida em comum – convivência.
Juridicamente e na etimologia das palavras e conceito temos uma definição do matrimonio/casamento, mas Deus em sua aliança com o homem desde o início tem um chamado para uma aliança, que não garanta somente o que é juridicamente correto, mas aquilo que transborde amor, um juramento e uma continuidade para toda uma vida e dentro da história do povo de Deus.
O matrimônio no designo de Deus.
O pacto matrimonial, pelo qual o homem e a mulher constituem entre si a comunhão íntima de toda a vida, ordenado por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à procriação e educação da prole, entre os batizados foi elevado por Cristo Senhor à dignidade de sacramento (CDC can. 1055.1)
No primeiro livro da Bíblia (Genesis 1,26-27) Deus cria o homem e a mulher, a sua imagem e semelhança e no último livro (Apocalipse 19,9) termina com a núpcias do Cordeiro. De um extremo ao outro das Sagradas Escrituras fala se do casamento e seu mistério, sua instituição e do sentido dado por Deus e todas as dificuldade nascidas do pecado e da sua renovação no Senhor.
O matrimônio na ordem da criação.
"E criou Deus o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, varão e fêmea os criou. E Deus os abençoou, e disse: Crescei e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a, e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves do céu, e sobre todos os animais que se movem sobre a terra." (Gn. 1,27-28)
O próprio Deus é o autor do matrimônio!
O matrimônio não é uma instituição puramente humana, apesar das numerosas variações a que esteve sujeito no decorrer dos séculos, nas diferentes culturas, estruturas sociais e atitudes espirituais, a ligação de afetos e complementos existentes no homem e na mulher, um para com outro, são reflexos daquilo que Deus, criou no homem, além da geração da vida, não somente como mero instituto de macho e fêmea como nos animais.
"A salvação da pessoa e da sociedade humana e cristã está intimamente ligado com uma favorável situação da comunidade conjugal e familiar." (II CV, Gaudium et spes 47).
Deus, que criou o homem por amor, também o chamou ao amor, vocação fundamental e inata a todo ser humano. (CIC 1604)
"Por isso deixará o homem seu pai e a sua mãe, e se unirá a sua mulher, e os dois serão uma só carne." (Gn 2,24)
O homem e a mulher foram criados um para o outro, a mulher "carne de sua carne" é a auxiliar que Deus dá ao homem (Gn 2,18), pois "Não é bom que o homem esteja só", criados a imagem e semelhança de Deus, que é amor, recebe de Deus um mandato "Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a", pois o amor mútuo dos dois é imagem do amor absoluto de Deus para com o homem e este amor gera vida, quando transborda.
O matrimônio sob o regime do pecado.
O que nos narra o Gênesis: "Mas a serpente era o mais astuto de todos os animais da terra que o Senhor Deus tinha feito. E ela disse à mulher: por que vos mandou Deus que não comêsseis de toda a árvore do paraíso? Respondeu-lhe a mulher: nós comemos do fruto das árvores, que estão no paraíso, mas do fruto da árvore, que está no meio do paraíso, Deus nos mandou que não comêssemos, e nem a tocássemos, não suceda que morramos. Porém a serpente disse à mulher: vós de nenhum modo morrereis; mas Deus sabe que, em qualquer dia que comerdes dele, se abrirão os vossos olhos, e sereis como deuses, conhecendo o bem e o mal. Viu, pois, a mulher que (o fruto) da árvore era bom para comer, formoso aos olhos e desejável para alcançar a sabedoria, e tirou do fruto dela, e comeu: e deu a seu marido, que também comeu. E os olhos de ambos se abriram: e, tendo conhecido que estavam nus, coseram folhas de figueira, e fizeram para si cinturas. E, tendo ouvido a voz do Senhor Deus, que passeava pelo paraíso, à hora da brisa, depois do meio-dia, Adão e sua mulher esconderam-se da face do Senhor Deus no meio das árvores do paraíso. E o Senhor Deus chamou por Adão, e disse-lhe: onde estás? E ele respondeu: ouvi a tua voz no paraíso, e tive medo, porque estava nu, e escondi-me. Disse-lhe Deus: mas quem te fez conhecer que estavas nu? acaso comeste da árvore, de que eu tinha ordenado que não comesses? Adão disse: a mulher, que me deste por companheira, deu-me (do fruto) da árvore, e comi. E o Senhor Deus disse para a mulher: por que fizeste isto? Ela respondeu: a serpente enganou-me, e comi." (Gn 3,1-13)
Assim que pela sedução da "serpente" Eva come do fruto e o oferece a Adão, que também o come, entra pela desobediência o pecado, "não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, porque, em qualquer dia que comeres dele, morrerás indubitavelmente." (Gn 2,17), e as consequências já são imediatas a iniciar por "perceberem se nus" (Gn 3,7). Já entra a malicia no coração do homem, em seguida o "medo de Deus" (Gn 3,8) agem com o ímpeto de esconder se daquele que "tudo vê", como se fosse possivel, fazer algo a escusas de Deus, (Gn 3,10). As acusações mútuas, ruptura com o próximo com a "companheiro (a), carne de sua carne" (Gn 3,12-13).
O pecado original já se torna uma ruptura com Deus e entre o homem e a mulher e toda a criação, gerando medo, acusações mútuas, distorção na atração e sua punição; as "dores do parto" "Multiplicarei os teus trabalhos, e (especialmente os de) teus partos. Darás à luz com dor os filhos, e desejarás com ardor a teu marido, que te dominará." (Gn 3,16) e o "ganha pão" Comerás o pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra, de que foste tomado, porque tu és pó, e em pó te hás-de tornar." (Gn 3,19) e enfim a expulsão do paraíso.
Adão e Eva com a ruptura do pecado perdem os dons preternaturais, a imortalidade, imunidade a dor, domínio sobre si e sobre as criaturas e a ciência infusa.
"Todo o homem faz a experiência do mal, à sua volta e em si mesmo. Esta experiência faz-se também sentir nas relações entre o homem e a mulher. Desde sempre, a união de ambos foi ameaçada pela discórdia, o espírito de domínio, a infidelidade, o ciúme e conflitos capazes de ir até ao ódio e à ruptura. Esta desordem pode manifestar-se de um modo mais ou menos agudo e ser mais ou menos ultrapassada, conforme as culturas, as épocas, os indivíduos. Mas parece, sem dúvida, ter um carácter universal." (CIC 1606)
Mas, mesmo diante da ruptura que o pecado causa no homem, Deus vem em seu socorro. "Fez também o Senhor Deus a Adão e a sua mulher umas túnicas de peles, e os vestiu" (Gn 3,21). A ordem na criação subiste ainda, apesar de gravemente perturbada, mas sem a Graça de Deus, homem e mulher não conseguem realizar a união das suas vidas para qual a graça de Deus os criou desde o princípio.
Mesmo com a desordem Deus é capaz de agir!
As penas do pecado original, "dores do parto" "com o suor do seu trabalho" já consistem em remédios que reduzem os malefícios do pecado.
"Depois da queda, o matrimónio ajuda a superar o auto-isolamento, o egoísmo, a busca do próprio prazer, e a abrir-se ao outro, à mútua ajuda, ao dom de si." (CIC 1609)
O matrimônio já é o remédio para a busca da santidade original, através das complexidades do relacionamento, o casal vai como que aparando as arestas que o pecado corrompeu no homem e na mulher e através do amor entre os cônjuges inicia o processo de cura e salvação e a retomada do Caminho. Como que uma lixa e uma madeira cheia de fiapos, que aos poucos vão se encontrando e "lixando" e as imperfeições vão se corrigindo, partes da lixa ficara na madeira e partes da madeira ficara na lixa.
Pense nesta imagem: Dois pedaços de uma ripa de madeira em uma parte ela é madeira e na outra está coberta por uma lixa, quando colocadas uma em cima da outra de forma invertida a lixa que está em uma das madeiras toca a madeira da outra e vice e versa. Assim é o processo, cada madeira com sua lixa representa um dos cônjuges, que se tocam na área onde cada um precisa "aparar" e só vai funcionar, se o movimento de lixar, for permeado de caridade, pois quanto mais força colocar, mais força contrária receberá. Esta é a cura que o matrimônio pode fazer nos cônjuges, aparar um ao outro com a Graça de Deus, suas arestas e se santificarem mutuamente, por amor.
"Estote autem factores verbi, et non auditores tantum: fallentes vosmetipsos." (Ep. S. Tiago 1,22)
Por Luiz Mathias
Nascido em 1980, casado, pai de 3 filhos, natural de Campinas-SP, Gerente de Agência Bancária. Formado em Marketing, MBA em Gestão de Negócios e Pós-graduado em Educação e Ciências da Família. Experiencia de 7 anos na vida franciscana missionária, atuando como missionário no Brasil e no Equador. Onde realizou formações, retiros, pregações e programas de evangelização. Iniciou o Apostolado A Fé Católica em 2013. Atualmente coordenador da Pastoral da Família na Paróquia Santo Antônio na Arquidiocese de Campinas.
Fontes:
[1] Catecismo da Igreja Católica – SEGUNDA PARTE – Artigo 7 – Capítulo 1601 – 1609.
[2] Código de Direito Canônico – TÍTULO VII – O Matrimônio.
[3] Sagradas Escrituras – Tradução Padre Manuel de Matos Soares, 1956. Editora: Ecclesiae.
