José recebeu sua esposa e o Menino que ela concebeu

O Pai era a razão da vida de Jesus: Ele recebeu do Pai sua missão e toda sua vida humana foi um cumprimento constante da vontade do Pai que Ele chamava de "sua comida e sua bebida".

O Pai deu tudo ao Filho, seu próprio ser, numa geração eterna; por essa razão o Filho é, com o Pai, um único e mesmo Deus: "consubstancial ao Pai".

No entanto, há algo que o Pai não reservou a Si para dar ao Filho: o Pai não quis ensinar-lhe a ser homem. Deus, o Pai de Jesus, delegou um "substituto" para ensinar Seu Filho a ser semelhante a nós e assim cumprir Sua vontade divina.

Sim, para que o Filho cumprisse o desígnio salvador do Pai, foi necessário um outro pai que ensinasse Jesus a viver como homem, um pai que lhe ensinasse trabalhar, que lhe desse uma educação humana, que fortalecesse seu caráter, que lhe ensinasse os valores importantes da vida humana, que lhe ensinasse a viver como um de nós.

Foi necessário um pai que fosse uma referência humana a Jesus em sua humanidade, um pai humano a quem Jesus pudesse olhar para se espelhar, um homem que causasse admiração no pequeno menino Jesus, um homem forte e virtuoso a quem o adolescente Jesus olhasse com admiração e dissesse: "Quero ser igual a ele".

Sem esse pai humano, Jesus não seria plenamente homem semelhante a nós. Por essa razão Deus Pai quis compartilhar sua paternidade, dividir com outro aquilo que Ele tinha de mais sagrado: sua própria identidade de Pai.

Foi necessário alguém a quem Deus Pai delegasse o título e a honra gloriosa de ser Pai do Filho de Deus. E isto Deus Pai fez a José.

Se Maria, por ser Mãe de Jesus é Mãe de Deus, José, sendo pai de Jesus, é verdadeiramente o Pai de Deus, por participação à Paternidade do Pai Eterno. Ele não foi pai de uma maneira natural, pois não teve intervenção sua no nascimento de Jesus; mas foi de maneira afetiva, moral e honorífica e, sobretudo, por decreto divino: o próprio Deus Pai o escolheu e designou para ser reconhecido diante dos homens como pai autêntico de Jesus, razão pela qual nos Evangelhos Jesus recebe o título de "Filho do carpinteiro".

Observemos bem a grandeza singular que resultou a José tal honra. Maria, para ser Mãe de Deus, ocuparia uma função única. Seu título de Mãe de Deus não interferiria em nada na glória de Deus Pai.

No entanto, para fazer de José o pai de Jesus, Deus Pai partilhou com José não somente seu cargo paterno, mas aquilo que Ele tem de mais precioso: sua própria identidade trinitária.

Sim, como Pessoa na Trindade, o que distingue o Pai do Filho é a identidade paterna, que é única e exclusiva de Deus Pai.

Esta mesma identidade é "delegada" a José de maneira que a relação que o Pai vive com o Filho na eternidade fosse vivida, a nível humano, entre Jesus e José na terra.

Para que Maria fosse Mãe de Deus, Ela foi enriquecida de muitos privilégios e graças. Imaginemos então as graças concedidas a José que teve por missão exercer o papel do próprio Deus Pai junto a Jesus nesta vida.

Deus fez de José seu "vigário" nesta terra; Deus fez do coração de José um coração de pai semelhante ao Seu. Deus Pai nunca teve um coração humano, mas podemos dizer com certeza que, depois do Coração de Jesus, o coração que mais se assemelha a Deus Pai é o coração de José, pois foi com esse coração de pai que São José foi para Jesus um sinal do Amor de Deus Pai que Jesus recebia na Trindade.

Se temos dificuldades de nos aproximar de Deus Pai e nos deixar conduzir a Jesus, deixemo-nos seduzir pelo "Vigário de Deus Pai", deixemos nos conduzir pela figura e pelo exemplo de José.

José tem junto a nós a mesma função que teve junto de Jesus: fazer as vezes de Deus Pai. Com José podemos nos acostumar a ser filhos de Deus. Se quiserdes aprender a ser filhos adotivos, ide a José, ide ao Pai adotivo, aquele que fez as vezes do Pai de Jesus nesta terra.

Solenidade de nosso Glorioso Pai S. José – Ano A

Leituras: 2Sm 7,4-5a.12-14a.16; Rm 4,13.16-18.22; Mt 1,16.18-21.24a.

"VIVER É CRISTO"

Ir. Bonifácio OSB

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