“Jesus saiu e foi para a região de Tiro e Sidônia e não queria que ninguém soubesse onde Ele estava”.

Não sabemos bem ao certo porque Jesus quis entrar numa casa e ficar aí sem que ninguém soubesse onde Ele estava. No entanto, temos tendência a minimizar e deixar passar despercebido certos aspectos muito humanos da vida de Jesus, como esta informação que nos dá o Evangelho de hoje: Jesus queria ficar um pouco sozinho, longe de todo mundo! Quem de nós nunca viveu esse mesmo sentimento em sua vida? Sim, Jesus é tão parecido conosco!…

A gente costuma imaginar Jesus como alguém incansável, sempre a disposição de todos e acabamos por esquecer que Ele também teve momentos iguais aos que nós temos em nossas vidas: cansaço, desânimo, desilusão, vontade de ficar longe de tudo e de todos, de "desaparecer" e "dar um tempo" pra tudo. Sim, esta atitude é muito humana e Jesus também teve esses momentos.

Isto mostra o quão próximo de nós Ele é, o quanto Ele conhece nossas fraquezas e fragilidades. Nenhum de nós está sozinho em suas fraquezas e fragilidades: Jesus, que viveu nossa condição, conhece nossas dificuldades e sempre está ao nosso lado quando nos sentimos cansados e abatidos.

Ao contemplarmos esse Jesus que deseja ficar um momento sozinho, longe de todos, sem ser incomodado, podemos crescer na confiança e no abandono em relação a Ele. Tudo o que é próprio do ser humano - com exceção do pecado - Jesus viveu, por isso podemos falar com Ele "de igual para igual": Ele, sendo Deus, se fez um de nós.

Corremos o risco de esquecer a realidade da humanidade de Cristo e tratar com Ele somente em sua realidade divina. Efetivamente, Ele é Deus, mas é um Deus que se coloca a nosso alcance, que viveu nossa realidade. Sim, como todo ser humano, Jesus tem seus sentimentos e justamente por Ele estar ressuscitado e glorioso no céu que sua condição humana se tornou ainda mais perfeita e muito mais sensível.

Sim, Jesus não é uma pessoa impassível e indiferente à nossa maneira de tratá-lo. Embora Ele não sofra mais no seu corpo e na sua humanidade por estar na glória do céu, Ele tem ainda vivo em si os sentimentos humanos de ternura e afeto: deveríamos pensar nisto antes de cometer um pecado ou um gesto de indiferença e falta de amor a Ele, sobretudo porque sabemos que Ele nos vê o tempo todo e escuta cada pensamento nosso…

Quando compreendemos que Deus quis revelar-se na fraqueza e na fragilidade da condição humana de Jesus, começamos a ter um olhar diferente sobre o mundo que nos rodeia: tudo passa a ser manifestação da presença e da ação de Deus. Sim, nosso Deus não é uma "energia cósmica abstrata", que vive alienado do nosso mundo e longe de nós: Ele se fez um de nós para que nós pudéssemos conhecê-lo a partir da humanidade de Seu Filho encarnado.

Ao assumir nossa condição humana, Jesus santificou a vida humana e se uniu a todo homem: sim, toda vida humana e o próprio mundo criado torna-se, em Jesus, lugar da manifestação e da ação de Deus.

Aprendamos a olhar para nossa humanidade, para nossa vida, para nossa história e ver em tudo a presença e a ação de Deus que, em Jesus, está unido à vida de cada um de nós, seja nos momentos bons, seja nos momentos de cansaço e desânimo, quando a gente quer ficar sozinho, longe de todo mundo, como fez Jesus no Evangelho de hoje.

Quinta-feira da 5ª semana do Tempo Comum — Ano A

Leituras: 1Rs 11,4-13; Mc 7,24-30.

"VIVER É CRISTO"

Ir. Bonifácio OSB