Jesus olhou para eles cheio de ira e tristeza porque eram duros de coração

Havia pessoas que estavam ao lado de Jesus espreitando-O com o único intuito de O acusarem: "observavam-no para poderem acusá-lo". Não importa o que Jesus fizesse, eles iriam encontrar sempre uma maneira de acusá-Lo em suas ações.

Na verdade essas pessoas já tinham condenado Jesus em seus corações, já tinham um julgamento definido. E para executarem esse julgamento elas se serviriam de qualquer ação de Jesus, ainda que fosse a mais louvável delas.

A atitude dessas pessoas causa grande indignação e tristeza em Jesus: "Jesus, então, olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração". Jesus designa esta atitude com um nome específico: a dureza de coração.

A dureza de coração é uma das atitudes mais perigosas que existem na vida cristã. Vivida de maneira extrema ela é o caminho mais certo da condenação eterna, pois ela fecha o coração para toda ação de Deus, fazendo que no fim, nem Deus tenha razão... O final da dureza de coração é a rejeição do próprio Deus: foi a doença de Lúcifer...

Trata-se de uma doença da alma cuja raiz é o orgulho. Ela consiste em um coração que se fecha em si, em uma crosta que envolve o coração de alguém, tornando-o impermeável a toda ação do Espírito Santo.

A dureza de coração é o "pecado contra o Espírito Santo" que se torna imperdoável porque a pessoa não pede nunca perdão, pois é uma atitude que cega o coração, a pessoa não consegue ver que está fazendo o mal e resiste até mesmo à voz de sua consciência.

É uma atitude de extremo orgulho e egoísmo quando alguém se fecha em uma ideia, em um pensamento fixo a respeito de algo ou alguém, sem querer abrir-se à verdade; a pessoa não consegue mudar sua opinião errada, não consegue se converter, mudar sua maneira equivocada de pensar.

A dureza de coração é uma atitude muito comum e todos nós devemos ter o cuidado de examinar a nós mesmos se não estamos com esta doença. É uma doença sutil e, o pior de tudo, é que as pessoas duras de coração geralmente creem que estão fazendo o bem, a vontade de Deus, e não querem "dar o braço a torcer" e admitir que estão fazendo os outros sofrerem.

Em nossas comunidades religiosas e em vários âmbitos da vida dos cristãos é muito comum encontrarmos pessoas com dureza de coração. São aquelas pessoas que estão prontas para criticar e condenar tudo o que os outros fazem, que só aceitam as decisões que estão de acordo com o que elas pensam, que não conseguem aceitar que as coisas se realizem de outra maneira, de acordo com a verdade: tudo tem que ser do jeito que elas pensam e querem.

Na verdade, a pessoa tocada pela dureza de coração não se preocupa com a realização do Bem, não quer ver a Verdade das coisas; quer somente satisfazer a si mesma, à sua maneira de pensar e agir, a seu ponto de vista.

Qualquer coisa realizada por outros será sempre mal e ruim para eles e quando as coisas acontecem de maneira diferente estão prontos para atrapalhar tudo e destruir, causando divisões e semeando discórdia na comunidade e nos lugares em que se encontram.

No Evangelho de hoje Jesus quer mostrar a primazia do Bem. Ele não hesita em curar no dia de sábado, ainda que isto, aparentemente, vá contra um costume religioso: "o que é permitido fazer no sábado, o bem ou o mal?"

Jesus mostra assim que a prática de um bem verdadeiro e a verdadeira e justa necessidade da pessoa estão acima de qualquer preceito, e isto porque a verdadeira caridade está acima de todo preceito.

Tenhamos o cuidado de não sermos pessoas com o coração duro em nossas comunidades, em nossas paróquias, pastorais, movimentos e em nossas famílias.

O ÚNICO REMÉDIO PARA A DUREZA DE CORAÇÃO É A HUMILDADE. Somente a pessoa humilde pode admitir que está errada, admitir que os outros podem fazer e pensar melhor que ela, admitir que ela precisa dos outros e não pode agir sozinha.

E, sobretudo, somente a pessoa humilde pode tomar consciência de que ela é um servidor, uma servidora do Evangelho, que está na comunidade cristã para servir, para "lavar os pés", como Jesus, que estava em nosso meio não como aquele que é servido, mas como Aquele que serve.

Que a Santíssima Mãe de Deus, a Escrava do Senhor, nos livre do mal terrível da dureza de coração. Amém.

Quarta-feira da 2ª semana do Tempo Comum - Ano A

Leituras: 1Sm 17, 32-33.37.40-51; Mc 3,1-6.

"VIVER É CRISTO"

Ir. Bonifácio OSB