Ele veio morar entre nós, no Santíssimo Sacramento!

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós! (Jo 1,14)
O primeiro anúncio (João 6)
No primeiro anúncio de Jesus sobre se dar como alimento já gerou um grande "escândalo" pois, nem mesmos os discípulos compreendiam aquilo que Jesus estava anunciando. No capítulo 6 do Evangelho de João, inicia se narrando a multiplicação dos pães, onde cerca de 5 mil homens foram alimentados e ainda sobrou o suficiente para encher 12 cestos e povo exclama: "Este é verdadeiramente o profeta que deve vir ao mundo." (Jo 6,1-14). No mesmo capítulo seguem os discípulos para Carfanaum de barco e Jesus, não seguiu com eles e vamos ver a narração de uma grande tempestade e um possivel naufrágio nos versículos sequenciais até que veem Jesus, vindo a direção deles, andando sobre as águas e Jesus lhes diz: "Sou eu, não temais." (Jo 6, 16-21)
A multidão que tinham visto o milagre da multiplicação e se alimentado procurava a Jesus e o encontram no dia seguinte e é neste momento que vem o grande anúncio Eucarístico: EU SOU O PÃO DA VIDA!
Vamos ao Evangelho:
"Em verdade, em verdade, vos digo: Vós buscais-me, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes saciados. Trabalhai não pela comida que perece, mas pela que dura até à vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará. Porque nele imprimiu Deus Pai o seu selo." Eles, então, disseram-lhe: "Que devemos nós fazer para praticar obras de Deus?" Jesus respondeu: "A obra de Deus é esta: Que acrediteis naquele que enviou." Mas eles disseram-lhe: "Que milagre fazes tu, para que o vejamos e acreditemos em ti? Que fazes tu? Nossos pais comeram o maná no deserto, segundo está escrito: Deu-lhes a, comer o pão do céu." Jesus respondeu-lhes: "Em verdade, em verdade, vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu, mas meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão do céu. Porque o pão de Deus é o que desceu do céu e dá a vida ao mundo." Então disseram-lhe: "Senhor, dá-nos sempre desse pão" Jesus respondeu-lhes: "Eu sou o pão da vida; o que vem a mim, não terá jamais fome, e o que crê em mim, não terá jamais sede. Porém já vos disse que vós me vistes e que não credes. Tudo o que o Pai me dá, virá a mim; e aquele que vem a mim, não o lançarei fora. Porque desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. Ora a vontade daquele que me enviou, é que eu não perca nada do que me deu, mas que o ressuscite no último dia. A vontade de meu Pai, que me enviou, é que todo o que vê o Filho e crê nele tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia." Murmuravam, pois, dele os Judeus, porque dissera: "Eu sou o pão que desceu do céu." Diziam: "Por ventura não é este aquele Jesus, filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz ele: Descido céu?" Jesus, replicando, disse-lhes: "Não murmureis entre vós. Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou, o não atrair; e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto todo aquele que ouve e aprende do Pai; vem a mim. Não porque alguém tenha visto o Pai, exceto aquele que vem de Deus; esse viu o Pai. Em verdade, em verdade, vos digo: O que crê em mim, tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná, no deserto, e morreram. Este é o pão que desceu do céu, para que aquele que dele comer não morra, Eu sou o pão vivo, descido do céu. Quem comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que eu darei, é a minha carne (que será sacrificada) para a salvação do mundo." Disputavam, então, entre si os Judeus: "Como pode este dar-nos a comer a sua carne?" Jesus disse-lhes: "Em verdade, em verdade, vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. O que come a minha carne e bebe o meu sangue, tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne é verdadeiramente comida, e o meu sangue verdadeiramente bebida. O que come a minha carne e bebe o meu sangue, permanece em mim e eu nele. Assim como me enviou o Pai que vive, e eu vivo pelo Pai, assim o que me comer a mim, esse mesmo também viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu. Não é como o pão que comeram os vossos pais, que morreram. O que come deste pão viverá eternamente." (Jo 6, 26-59)
Todo o capítulo 6 do Evangelho de São João é uma aula Teológica e Pedagógica de que Deus, se daria como alimento:
Primeiro alimenta uma multidão, multiplicando pães e no final, pede que guarde se tudo "o que sobrou, para que nada se perca", já se faz uma alusão aqui as espécies eucarísticas que hoje são guardadas em nossos sacrários.
Depois encontra se com seus discípulos em meio a tormenta andando sobre as águas, provando assim que Deus, esta acima das leis da natureza, que Jesus poderia fazer o que bem entendesse com seu corpo, até mesmo "andar sobre as águas" e que não estava sujeito as leis da fisica.
Por fim o grande discurso e anúncio que daria sua carne como comida e seu sangue como bebida, mas não sem escandalizar a todos e muitos que viram e comeram na multiplicação deixam de seguir Jesus e Ele ainda questiona seus discípulos: "Quereis vós também retirar-vos?" (Jo 6,68)
Como em seu anúncio de que tipo de morte padeceria, assim também quando Jesus, diz que sua carne é comida e seu sangue é bebida, causa escândalo, estranheza. A Eucaristia e a Cruz são pedras de tropeço!
A Instituição da Eucaristia
Os 3 evangelistas Mateus (Mt 26, 17-29), Marcos (Mc 14, 12-25), Lucas (Lc 22,14-20) e Paulo na carta aos coríntios (1 Cor 11, 23-25) narram a instituição, João não narra, mas como vemos acima ele se atentou a todo o discurso do Panis Vivus et Vitalis.
Jesus escolheu o tempo Pascal para realizar tudo aquilo que tinha anunciado em Carfanaum. (Jo 6)
Na noite em que ia ser entregue, Jesus tomou pão e, depois de o benzer, partiu-o, deu-lho e disse: "Tomai, isto é o meu corpo." Em seguida, tendo tomado o cálice, dando graças, deu-lho, e todos beberam dele. E disse-lhes: "Isto é o meu sangue, o sangue da Aliança, que será derramado por muitos. (Mc 14,22-24).
O Senhor, dá o verdadeiro sentido a Páscoa, não mais com sangue de animais nos batentes das portas e assando cordeiros jovens, como as orientações dadas a Moisés, na libertação do povo no Egito, mas entregando se como alimento.
Todos os demais sacramentos, atividades eclesiais e tarefas apostólicas se ligam a sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. "A nossa maneira de pensar está de acordo com a Eucaristia: e, por sua vez, a Eucaristia confirma à nossa maneira de pensar." (Santo Irineu de Lião - Adversus haereses)
O nosso Salvador instituiu na última ceia, na noite em que foi entregue, o sacrifício eucarístico do seu corpo e sangue, para perpetuar pelo decorrer dos séculos, até voltar, o sacrifício da cruz, confiando à Igreja, sua esposa amada, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é dado o penhor da glória futura. (II Concílio do Vaticano, Sacrosactum concilium, 47)
Nos Atos dos apóstolos já verificamos a Igreja fiel a este mandato do Senhor: Perseveravam na doutrina dos Apóstolos, nas reuniões comuns, na fracção do pão e nas orações. (At 2,42) No primeiro dia da semana, tendo-nos reunido para a fracção do pão (At 20,7).
Os sinais
No antigo testamento no livro do Genesis, Abrão se encontra com o Sacerdote Melquisedec, rei e sacerdote, que oferecia no altar de Deus, pão e vinho. (Gn 14,18)
Na libertação de Israel do Egito come se os pães ázimos e em toda a celebração da Páscoa judaica...
"Moisés disse ao povo: Lembrai-vos deste dia em que saístes do Egipto e da casa da escravidão, porque foi o Senhor quem vos tirou desde lugar com mão forte. Não comereis pão fermentado" (Ex 13,3). e depois o maná que Deus faz cair sobre o povo no deserto, para o alimentar! "Tendo visto isto os filhos de Israel, disseram entre si: Que é isto? De fato, não sabiam o que era. Moisés disse-lhes: Este é o pão que o Senhor vos dá para comer." (Ex 16,15). Deus, alimenta seu povo, com a "fina flor do trigo".
No Novo Testamento, o primeiro milagre de Jesus é a transformação da água em vinho, o vinho que remete a alegria escatológica, mas também mais um sinal de que Deus, pode mudar as substâncias.
Presença Real de Jesus no Santíssimo Sacramento
Jesus, esta presente de muitas maneiras na sua Igreja, conforme ensina a Constituição Dogmática Sacrosanctum Concilium, do Concilio Vaticano II: na sua Palavra, na oração da sua Igreja, "onde dois ou três estão reunidos em Meu nome" (Mt 18, 20), nos pobres, nos doentes, nos prisioneiros, nos seus sacramentos, dos quais é o autor, no sacrifício da missa e na pessoa do ministro. Mas está presente "sobretudo sob as espécies eucarísticas".
São Paulo apóstolo ao ensinar sobre a doutrina da Eucaristia ele escreve aos Coríntios: "Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído tomou o pão e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: Isto é o meu corpo, que é entregue por vós, fazei isto em memória de mim. Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que beberdes, fazei-o em memória de mim. Assim, todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice lembrais a morte do Senhor até que venha. (1 Cor 11,23-26)
O apóstolo, inicia dizendo a Igreja de Coríntios... EU RECEBI DO SENHOR... Paulo, que teve seu encontro com Jesus a caminho de Damasco (At 9, 3-6) afirma que recebeu do Senhor a doutrina da Eucaristia, os livros Sagrados, não afirmam isso, mas entendemos que Paulo recebe da Igreja, a doutrina da Eucaristia e logo, a doutrina da Igreja é a doutrina do Senhor! Assim, como Jesus indaga Paulo em sua conversão: "Saulo, Saulo... por que me persegues?" (At 9,4). Paulo, não perseguia diretamente Jesus, mas perseguia a Igreja, logo perseguia Jesus.
O Concílio de Trento resume a fé católica declarando: «Porque Cristo, nosso Redentor, disse que o que Ele oferecia sob a espécie do pão era verdadeiramente o seu corpo, sempre na Igreja se teve esta convicção que o sagrado Concílio de novo declara: pela consagração do pão e do vinho opera-se a conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue; a esta mudança, a Igreja católica chama, de modo conveniente e apropriado, transubstanciação» (CIC 1376)
É o poder das palavras de Cristo que consagram as espécies do pão e do vinho em seu corpo e sangue, sua palavra que é a verdade!
"Não é o homem que faz com que as coisas oferecidas se tomem corpo e sangue de Cristo, mas o próprio Cristo, que foi crucificado por nós. O sacerdote, figura de Cristo, pronúncia estas palavras, mas a sua eficácia e a graça são de Deus. Isto é o Meu corpo, diz ele. Esta palavra transforma as coisas oferecidas." (São João Crisóstomo, De proditione Iudae homilia 1)
"A Palavra de Cristo, que pôde fazer do nada o que não existia, não havia de poder mudar coisas existentes no que elas ainda não eram? Porque não é menos dar às coisas a sua natureza original do que mudá-la" (Santo Ambrósio, De mysteriis)
"Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo." (Mt 28,20)
Por Luiz Mathias
Nascido em 1980, casado, pai de 3 filhos, natural de Campinas-SP, Gerente de Agência Bancária. Formado em Marketing, MBA em Gestão de Negócios e Pós Graduado em Educação e Ciências da Família. Experiencia de 7 anos na vida franciscana missionária, atuando como missionário no Brasil e no Equador. Onde realizou formações, retiros, pregações e programas de evangelização. Iniciou o Apostolado A Fé Católica em 2013. Atualmente coordenador da Pastoral da Família na Paróquia Santo Antônio na Arquidiocese de Campinas.
