Amar a Deus e ao próximo: não existe mandamento maior!

As duas tábuas dos mandamentos da Antiga Lei de Deus dadas a Moisés, foram resumidas em dois únicos mandamentos: Amar a Deus de todo o coração, de toda a alma, de todo entendimento e com todas as forças, e ao próximo como a si mesmo.
O amor a Deus através do coração, da alma, do entendimento e de todas as forças, significa – em suma – um compromisso total da pessoa no amor a Deus; em outras palavras, significa viver de tal maneira que não possa haver em nós nem um espaço sequer de amor que não seja a Ele.
Como viver isso? Significa que não podemos amar as coisas boas que existem na criação? Não! Nestas palavras de Jesus, amar a Deus, significa amar tudo por amor a Deus, amar Deus em todas as coisas. Podemos amar tudo o que é bom à condição que tudo seja meio para amar a Deus.
E amar tudo por amor a Deus significa que tudo aquilo que é bom deve ser recebido com ação de graças e com louvor a Deus; desta maneira todas as coisas nos ajudarão a amar melhor Deus.
Amar o próximo como a si mesmo é querer o bem da pessoa em todos os aspectos. É importante lembrar que o bem de alguém não é o prazer de alguém nem necessariamente o que agrada alguém, mas é a verdade para alguém, aquilo que alguém "necessita" para ser feliz, e não aquilo que alguém "quer" para ser feliz.
E isto vale para nós também: nem tudo o que queremos e desejamos, nem tudo o que nos dá prazer é um bem para nós. Portanto, o princípio do bem é a verdade: somente o que condiz com a nossa verdade é um bem para nós; assim como nós queremos o bem para nós, devemos querer também para os outros, e isto é "amar o próximo como a si mesmo".
O maior bem para nós e para qualquer pessoa é o conhecimento de Jesus e a salvação que somente Ele pode dar. Tudo o que fizermos para alguém só será um bem se for uma ajuda para que a pessoa possa conhecer e amar melhor Jesus.
O bem material é muito importante, por isso temos a obrigação de amar o próximo ajudando-o a ter uma vida humana digna, provendo tudo o que for necessário para a subsistência do outro, sobretudo no caso dos pobres.
Mas se fizermos todo o bem material possível a alguém sem dar a essa pessoa a ocasião de conhecer e amar Jesus, nosso bem, ainda que bom, será uma simples "ajuda humanitária", será um bem incompleto, muito aquém do verdadeiro amor evangélico que tem por finalidade amar o próximo como a si mesmo.
Amar é a vocação, o mandamento da vida cristã. É necessário exercitar-se todos os dias para aprender a amar e crescer no amor. O amor evangélico é essencialmente ação: não amamos com sentimentos ou simples afetos, amamos com atos e com a vontade, nosso amor se expressa em nossas ações!
Sexta-feira da 3ª semana da Quaresma — Ano A
Leituras: Os 14,2-10; Mt 12, 28-34.
"VIVER É CRISTO"
Ir. Bonifácio OSB
